Por que as empresas (em sua maioria) pagam dividendos de forma trimestral/mensal/trienal/etc, e não apenas anual?
O porquê dos dividendos vou deixar para a próxima semana... uma coisa de cada vez.
Por favor, aguardo respostas...
The Single Direction of the Tide
terça-feira, 14 de junho de 2011
sábado, 12 de março de 2011
Valuation via t-1, t-2, ..., t-n
Num desses dias recentes, um amigo me pediu para coletar alguns preços de fechamento de ações de duas empresas no Economática. Após fazer isso, enviei por e-mail a tabela com os dados e recebi a seguinte resposta: "...preciso desses dados para fazer um modelo de previsão de volatilidade...".
Com base nesta afirmação, respondi que não concordo com os resultados gerados por estes modelos para preços de ações de empresas. Por sua vez, ele respondeu-me que não poderia fazer um modelo de previsão de volatilidade levando em conta outros ativos. Enfim, ele não entendeu minha crítica, mas isso não é importante, pois, eu quero me deter na razão pela qual eu não concordei com o modelo.
Antes de mais nada, quero deixar claro que eu acredito sim em econometria, e acredito que modelos bem desenhados são de grande valia para o mercado de capitais - no Brasil, ainda são subaproveitados. O que eu não acredito é em, simplesmente, rodar uma regressão para qualquer dado e supor que isso é um modelo preciso de previsão. A estatística aceita quaisquer dados como entrada e ainda cospe mais dados de saída, mesmo com correlações espúrias, portanto, antes de criar um modelo, cabe esclarecer o que ele propõe e se isto vai ao encontro do fundamento da variável estudada.
Modelos de previsão de volatilidade, sejam GARCH, ou de volatilidade estocástica, calculam a oscilação passada do ativo e com base nos resultados sugerem uma oscilação para o preço futuro. Porém, o que faz o preço de uma ação oscilar? Claro que é a relação entre oferta e demanda, mas isso não nos ajuda muito. Talvez uma pergunta melhor seria, o que faz os agentes comprar ou vender ações? Desta vez a resposta não é tão segura, mas, posso sugerir que seja por mudanças de expectativa quanto aos resultados das empresas.
Ora, se nenhuma expectativa for alterada, os agentes, em geral, não possuem motivos para alterar seus portifólios. Quando uma nova informação chega ao mercado, as expectativas se adaptam, e com base em suas crenças, os indivíduos modificam suas posições, gerando alteração nos preços.
Se os preços mudam de valor de acordo com a mudança de expectativas, não importa se o ativo, em momentos passados teve um desvio padrão de X ou Y, ou que ele nunca variou Z%. O que está em jogo é o impacto das novas informações que chegarão ao mercado.
Numa conversa sobre esse assunto surgiu a idéia de que o estudo de dados passados para prever dados futuros de ativos, que trabalhem majoritariamente com expectativas, se deve ao fato de capturar tendências por ciclos. Isto também não me convence, pois, cada ciclo depende do período de análise. Para avaliar o tais comportamentos, basta analisar uma série grande de preços de qualquer ativo. Dependendo do período que se analisa, você pode perceber ciclos em intervalos diferentes, portanto, quando amplia-se o horizonte temporal de análise, a média e moda dos intervalos também irão se alterar. Para ganhar dinheiro, muito dinheiro, com esses ativos, não basta eu conhecer a média de tempo entre um intervalo e outro, ou a moda entre eles, mas é necessário saber exatamente, quando a tendência irá se inverter.
Concordo que a previsão gerada por um modelo baseado na volatilidade passada de algum ativo pode ter uma probabilidade maior de acerto do que um "chute" ao acaso. Pois, estaria colocando minhas fichas num resultado que está dentro de um desvio que o ativo costuma seguir, porém, isso não quer dizer que minha previsão seja boa. Portanto, gosto de modelos de previsão de volatilidade, mas não para prever preços de ações. Sou mais inclinado a adotar um modelo desse tipo para a previsão da taxa de câmbio, por exemplo. Afinal de contas, é tão difícil prever seu comportamento, que os modelos de previsão de volatilidade ganham mais valor - estou referindo-me ao curto prazo.
Uma discussão dessas leva-me a pensar sobre duas outras coisas: (i) então, de fato quanto valem os modelos de analistas fundamentalistas e qual seu retorno esperado; e (ii) a tendência que os gestores, no Brasil, têm de subestimar a presença do governo.
Mas tais questões fogem do tema central do assunto, e são grandes o suficiente para alimentar outros posts. Termino por aqui e fico devendo uma opinião sobre os dois tópicos acima descritos.
Com base nesta afirmação, respondi que não concordo com os resultados gerados por estes modelos para preços de ações de empresas. Por sua vez, ele respondeu-me que não poderia fazer um modelo de previsão de volatilidade levando em conta outros ativos. Enfim, ele não entendeu minha crítica, mas isso não é importante, pois, eu quero me deter na razão pela qual eu não concordei com o modelo.
Antes de mais nada, quero deixar claro que eu acredito sim em econometria, e acredito que modelos bem desenhados são de grande valia para o mercado de capitais - no Brasil, ainda são subaproveitados. O que eu não acredito é em, simplesmente, rodar uma regressão para qualquer dado e supor que isso é um modelo preciso de previsão. A estatística aceita quaisquer dados como entrada e ainda cospe mais dados de saída, mesmo com correlações espúrias, portanto, antes de criar um modelo, cabe esclarecer o que ele propõe e se isto vai ao encontro do fundamento da variável estudada.
Modelos de previsão de volatilidade, sejam GARCH, ou de volatilidade estocástica, calculam a oscilação passada do ativo e com base nos resultados sugerem uma oscilação para o preço futuro. Porém, o que faz o preço de uma ação oscilar? Claro que é a relação entre oferta e demanda, mas isso não nos ajuda muito. Talvez uma pergunta melhor seria, o que faz os agentes comprar ou vender ações? Desta vez a resposta não é tão segura, mas, posso sugerir que seja por mudanças de expectativa quanto aos resultados das empresas.
Ora, se nenhuma expectativa for alterada, os agentes, em geral, não possuem motivos para alterar seus portifólios. Quando uma nova informação chega ao mercado, as expectativas se adaptam, e com base em suas crenças, os indivíduos modificam suas posições, gerando alteração nos preços.
Se os preços mudam de valor de acordo com a mudança de expectativas, não importa se o ativo, em momentos passados teve um desvio padrão de X ou Y, ou que ele nunca variou Z%. O que está em jogo é o impacto das novas informações que chegarão ao mercado.
Numa conversa sobre esse assunto surgiu a idéia de que o estudo de dados passados para prever dados futuros de ativos, que trabalhem majoritariamente com expectativas, se deve ao fato de capturar tendências por ciclos. Isto também não me convence, pois, cada ciclo depende do período de análise. Para avaliar o tais comportamentos, basta analisar uma série grande de preços de qualquer ativo. Dependendo do período que se analisa, você pode perceber ciclos em intervalos diferentes, portanto, quando amplia-se o horizonte temporal de análise, a média e moda dos intervalos também irão se alterar. Para ganhar dinheiro, muito dinheiro, com esses ativos, não basta eu conhecer a média de tempo entre um intervalo e outro, ou a moda entre eles, mas é necessário saber exatamente, quando a tendência irá se inverter.
Concordo que a previsão gerada por um modelo baseado na volatilidade passada de algum ativo pode ter uma probabilidade maior de acerto do que um "chute" ao acaso. Pois, estaria colocando minhas fichas num resultado que está dentro de um desvio que o ativo costuma seguir, porém, isso não quer dizer que minha previsão seja boa. Portanto, gosto de modelos de previsão de volatilidade, mas não para prever preços de ações. Sou mais inclinado a adotar um modelo desse tipo para a previsão da taxa de câmbio, por exemplo. Afinal de contas, é tão difícil prever seu comportamento, que os modelos de previsão de volatilidade ganham mais valor - estou referindo-me ao curto prazo.
Uma discussão dessas leva-me a pensar sobre duas outras coisas: (i) então, de fato quanto valem os modelos de analistas fundamentalistas e qual seu retorno esperado; e (ii) a tendência que os gestores, no Brasil, têm de subestimar a presença do governo.
Mas tais questões fogem do tema central do assunto, e são grandes o suficiente para alimentar outros posts. Termino por aqui e fico devendo uma opinião sobre os dois tópicos acima descritos.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Simplesmente Skaf
Hoje, após o anúncio oficial do IBGE sobre o resultado do crescimento do PIB brasileiro de 2010, 7,5%, Paulo Skaff, presidente da Fiesp, aproveitou para criticar, novamente, a decisão do Banco Central de aumento dos juros.
Segundo Skaf, esse aumento na taxa SELIC pode fazer com que o crescimento do PIB reduza-se para uma faixa entre 3% e 4%, e o crescimento industrial estagnar, o que seria lastimável. Além disso, Skaf reclama do pequeno avanço da atividade econômica nos dois primeiros meses de 2011, e argumenta que essa performance é consequência das medidas de contenção de crédito tomadas em dezembro do ano passado e janeiro deste ano.
É estranho ver o presidente da Fiesp criticar as medidas que visam reduzir o crédito, pois, se por um lado o Banco Central aumentou o compulsório sobre os depósitos à vista e a prazo, em dezembro, resultando em uma redução de R$ 61 bilhões da economia, por outro, o Tesouro Nacional capitalizou o BNDES com mais R$ 80 bilhões – além dos R$ 100 bilhões já concedidos no final de 2009.
Assim, o Banco Central é forçado a aumentar os juros, pois a expectativa de inflação está consistentemente acima da meta estipulada, e reduzir a liquidez na economia, enquanto o BNDES esbanja crédito caro, já que as captações do Tesouro Nacional pagam SELIC.
Por que Sr. Paulo Skaf não reclama da expansão de crédito que o BNDES vem adotando, das baixas taxas de juros que o BNDES fornece crédito, ou do spread entre as captações do Tesouro Nacional e as concessões do BNDES que cobram TJLP?
Talvez porque seja mais fácil reclamar do Banco Central do que rebater o aumento de gastos do governo, e continuar mendigando crédito mais barato via BNDES, que ele tanto elogia. Claro, criticar o partidão é expressamente proibido, ainda mais para Skaf que almeja ser governador de São Paulo. Mais do que isso, Skaf, representante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo concorreu ao cargo de governador via o PSB, isso mesmo, o Partido Socialista Brasileiro.
Paulo Skaf, que se diz defensor do desenvolvimento das empresas industriais, filiou-se a um partido que busca transformar a estrutura da sociedade socializando os meios de produção, que tem como meta, o manifesto e o estatuto do partido, estabelecer um regime socialista abolindo o “antagonismo de classes”.
Quando perguntado pela revista ISTOÉ, na edição 2108 de abril de 2010, sobre sua filiação a um partido socialista, ele rebateu dizendo: “Não há ninguém mais socialista do que um empresário moderno. Estou falando de educação, a melhor forma de promover a emancipação do indivíduo.”
Ora, essa resposta só comprova que Skaf é um indivíduo que filiou-se a um partido no qual desconhece os princípios, aliás, que não conhece nada sobre esquerdismo político, nada sobre história do mundo, nada sobre empreendedorismo, e muito menos sobre educação.
Como ele pode tentar defender-se argumentando que apóia o socialismo devido ao tratamento dado à educação, se todas as experiências que tivemos de socialismo no mundo só evidenciaram a extrema incultura dos povos submetidos a ele? A educação num regime socialista possui uma qualidade tamanha que, em 72 anos de regime na Rússia/União Soviética, nunca produziram um refrigerador que funcionasse. Na China, que já foi a maior potência do mundo no início do século XIX, hoje, depois de 62 anos de socialismo, não é capaz de produzir praticamente nada, e apenas reproduz a tecnologia que outros países desenvolvem.
Admito que me esforço muito para tentar entender a opinião dele sobre a educação no socialismo. Será que Skaf está defendendo a adoção do manual russo de lavagem cerebral nas universidades brasileiras visando melhorar a educação no país? Vai ver ele leu o glorioso trabalho de Lavrentiy Beria, A Syntesis of the Russian Textbook on Psychopolitcs (1955), chefe NKVD, ou polícia secreta soviética, nos anos 1950, e realmente acredita num aumento de produtividade do trabalho ligado à lavagem cerebral.
Confesso que minha capacidade de análise não é boa o bastante para compreender o que Paulo Skaf pensa como sociedade melhor, muito menos suas contradições ideológicas.
No fim, o Banco Central fica como vilão da história quando aumenta os juros, o mínimo possível, e tenta cumprir uma de suas funções, que é fazer com que a inflação convirja para o centro da meta estabelecida, em 4,5% a.a., enquanto o governo expande gastos e o BNDES trabalha na contramão devolvendo todo o dinheiro que o BC retira do meio circulante.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
E amanhã? Vai ser cara ou coroa?
Selecionei uma repostagem que eu li ano passado, mais precisamente no final de setembro, sobre um famoso escritor de livros de análise técnica chamado Alexander Elder. O Portal Exame citava-o como guru da análise técnica, porém, ninguém sabe dizer quanto esse indivíduo já ganhou de dinheiro no mercado, pois, ele mesmo recusa-se a responder e ainda fica irritado com a insistência dos expectadores no assunto. Assim, eu julgo que o termo mais apropriado para ele, pelo menos por enquanto, é escritor e não guru. Elder andou escrevendo alguns livros sobre o assunto e como seus livros já estão publicados e assinados, não há como duvidar que, pelo menos, os livros ele escreveu.
Abaixo seguem alguns trechos da entrevista, e o link para a reportagem completa, para quem tiver interesse. Os orações marcadas em negrito são grifos meus.
Para guru da análise técnica, investimento de longo prazo acabou
http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/acoes/noticias/guru-analise-tecnica-investimento-longo-prazo-acabou-598756
Entrevista | 23/09/2010
“Autor de livros como "Aprenda a Operar no Mercado de Ações: Come Into My Trading Room" e "Como se Transformar em um Operador e Investidor de Sucesso", o russo radicado nos Estados Unidos, Alexander Elder, faz duas palestras gratuitas na Expo Money São Paulo...
...Em relação à análise técnica, Elder não economiza elogios ... Ele não se arrisca a fazer previsões sobre a bolsa, não revela qual é a taxa de retorno de seus próprios investimentos e se irrita facilmente diante da insistência por respostas menos genéricas sobre estratégias que funcionam..."
Elder não se arrisca a fazer previsão de bolsa e nem revela o quanto ele ganha utilizando sua própria técnica. Então, quem diabos compra os livros dele? Aliás, uma pergunta melhor seria: Por que alguém compra seus livros? Se algum voluntário tem essa resposta, por favor, responda-me.
Até que me convençam do contrário, sou adepto da ideia de “Adam Smith” (é um pseudônimo e não o próprio) no “O Jogo do Dinheiro” (1967), no qual ele diz: “Não há muita coisa escrita sobre Wall Street que os homens de Wall Street acreditem. A razão disso é que os escritores que abordam a Street são de fora, pertencem ao exterior, e a Wall Street diz-lhes apenas mais ou menos o que ela quer. A Wall Street é bem paga e os escritores não são, e quando os escritores aprendem o suficiente recebem ofertas de empregos rendosos na famosa artéria e lá vão eles, satisfazendo talvez sua necessidade criadora trabalhando numa comédia negra nos fins de semana. Pois estão ricos, são de dentro e já não escrevem sobre a Wall Street.”
Qualquer um que opera ou conhece algum indivíduo que opera no mercado de ações sabe que quando se ganha dinheiro, as pessoas têm o maior prazer em expor seus acertos. Todos nós temos acesso aos investimentos feitos por Warren Buffett, ele mesmo faz questão de contá-los, e ainda ocupa o top 3 dos homens mais ricos do mundo há mais de uma década, segundo a revista Forbes. Dei-me o trabalho de procurar o Alexander Elder no sistema de busca da Forbes, e sem nenhuma surpresa, deparei-me com o seguinte resultado: Your Search for "Alexander Elder" produced No Results. Check for web results.
Entretanto, ao fazer a mesma pesquisa no Google o resultado foi o seguinte:
Alexander Elder é na Saraiva
Compre Livros de Administração em Até 12x sem Juros + Frete Grátis*!
E existem mais pontos interessantes na reportagem:
"...A maioria das pessoas investe às cegas, como se estivessem jogando dardos. É ótimo, pois é graças a essas pessoas que é possível ganhar dinheiro. A maioria precisa perder dinheiro no mercado, só uma minoria pode ganhar. E quanto mais a maioria perde, mais a minoria ganha...
...Em entrevista a EXAME, Elder despreza todas as estratégias de investimento com exceção da análise técnica. Já o investimento de longo prazo em bolsa seria um método antigo que "só funcionou para nossos avós"...
...SITE EXAME: Por que o senhor não investe a longo prazo?
Elder: Eu acho que o longo prazo acabou. Nós vivemos num mundo diferente. Longo prazo era para nossos avós. Esse não é mais o mundo do longo prazo...”
A lógica que ele utiliza é ótima: só é possível ganhar dinheiro no mercado quando outra pessoa perde. Na cabeça do Alexander Elder o mercado acionário é um jogo de soma zero. Só há um problema, se as pessoas investem às cegas, aleatoriamente, como se estivessem jogando dardos, como pode haver uma tendência na aleatoriedade? Entramos na mesma discussão das pessoas que anotam os resultados da mega-sena para jogarem sempre nos números que “mais saíram”. Ora, se cada evento é independente, como pode haver maior probabilidade nos números que mais saíram? O que faz a máquina puxar novamente a bolinha que já saiu em sorteios anteriores? A resposta é o acaso!
O acaso também dita o próximo passo das “pessoas que jogam dardos” na bolsa, e assim, o Sr. Alexander Elder analisando o acaso da multidão de negociações toma sua decisão. Para ficar mais evidente, vamos supor uma simulação, na qual minhas decisões de compra e venda são tomadas aleatoriamente e para ilustrar isso, minhas escolhas serão representadas pelo lançamento de uma moeda: lancei 3 vezes uma moeda e os resultados foram cara, cara, coroa; vejamos, acabo de fazer mais um lançamento, a moeda está suspensa no ar e girando, prestes a cair sobre a mesa... qual seu palpite? Qual o palpite do Alexander Elder? O que faz ele decidir por cara ou coroa? Eu não sei, mas sei que o resultado da escolha dele ou a de qualquer outra pessoa nessa simulação teria a mesma probabilidade de acerto.
O Sr. Alexander Elder afirma que as pessoas atiram de olhos vendados na bolsa de valores, porém, ele faz o mesmo. O acaso é o responsável pelos seus acertos. Isso me lembrou o que o Marcos Elias, da Empiricus Research, disse: “Análise técnica é como a arte de ver desenho em nuvens.”
Aquela nuvem pode até lembrar a forma de uma ovelha, mas você ainda não pode fazer um churrasco dela.
Abaixo seguem alguns trechos da entrevista, e o link para a reportagem completa, para quem tiver interesse. Os orações marcadas em negrito são grifos meus.
Para guru da análise técnica, investimento de longo prazo acabou
http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/acoes/noticias/guru-analise-tecnica-investimento-longo-prazo-acabou-598756
Entrevista | 23/09/2010
“Autor de livros como "Aprenda a Operar no Mercado de Ações: Come Into My Trading Room" e "Como se Transformar em um Operador e Investidor de Sucesso", o russo radicado nos Estados Unidos, Alexander Elder, faz duas palestras gratuitas na Expo Money São Paulo...
...Em relação à análise técnica, Elder não economiza elogios ... Ele não se arrisca a fazer previsões sobre a bolsa, não revela qual é a taxa de retorno de seus próprios investimentos e se irrita facilmente diante da insistência por respostas menos genéricas sobre estratégias que funcionam..."
Elder não se arrisca a fazer previsão de bolsa e nem revela o quanto ele ganha utilizando sua própria técnica. Então, quem diabos compra os livros dele? Aliás, uma pergunta melhor seria: Por que alguém compra seus livros? Se algum voluntário tem essa resposta, por favor, responda-me.
Até que me convençam do contrário, sou adepto da ideia de “Adam Smith” (é um pseudônimo e não o próprio) no “O Jogo do Dinheiro” (1967), no qual ele diz: “Não há muita coisa escrita sobre Wall Street que os homens de Wall Street acreditem. A razão disso é que os escritores que abordam a Street são de fora, pertencem ao exterior, e a Wall Street diz-lhes apenas mais ou menos o que ela quer. A Wall Street é bem paga e os escritores não são, e quando os escritores aprendem o suficiente recebem ofertas de empregos rendosos na famosa artéria e lá vão eles, satisfazendo talvez sua necessidade criadora trabalhando numa comédia negra nos fins de semana. Pois estão ricos, são de dentro e já não escrevem sobre a Wall Street.”
Qualquer um que opera ou conhece algum indivíduo que opera no mercado de ações sabe que quando se ganha dinheiro, as pessoas têm o maior prazer em expor seus acertos. Todos nós temos acesso aos investimentos feitos por Warren Buffett, ele mesmo faz questão de contá-los, e ainda ocupa o top 3 dos homens mais ricos do mundo há mais de uma década, segundo a revista Forbes. Dei-me o trabalho de procurar o Alexander Elder no sistema de busca da Forbes, e sem nenhuma surpresa, deparei-me com o seguinte resultado: Your Search for "Alexander Elder" produced No Results. Check for web results.
Entretanto, ao fazer a mesma pesquisa no Google o resultado foi o seguinte:
Alexander Elder é na Saraiva
Compre Livros de Administração em Até 12x sem Juros + Frete Grátis*!
E existem mais pontos interessantes na reportagem:
"...A maioria das pessoas investe às cegas, como se estivessem jogando dardos. É ótimo, pois é graças a essas pessoas que é possível ganhar dinheiro. A maioria precisa perder dinheiro no mercado, só uma minoria pode ganhar. E quanto mais a maioria perde, mais a minoria ganha...
...Em entrevista a EXAME, Elder despreza todas as estratégias de investimento com exceção da análise técnica. Já o investimento de longo prazo em bolsa seria um método antigo que "só funcionou para nossos avós"...
...SITE EXAME: Por que o senhor não investe a longo prazo?
Elder: Eu acho que o longo prazo acabou. Nós vivemos num mundo diferente. Longo prazo era para nossos avós. Esse não é mais o mundo do longo prazo...”
A lógica que ele utiliza é ótima: só é possível ganhar dinheiro no mercado quando outra pessoa perde. Na cabeça do Alexander Elder o mercado acionário é um jogo de soma zero. Só há um problema, se as pessoas investem às cegas, aleatoriamente, como se estivessem jogando dardos, como pode haver uma tendência na aleatoriedade? Entramos na mesma discussão das pessoas que anotam os resultados da mega-sena para jogarem sempre nos números que “mais saíram”. Ora, se cada evento é independente, como pode haver maior probabilidade nos números que mais saíram? O que faz a máquina puxar novamente a bolinha que já saiu em sorteios anteriores? A resposta é o acaso!
O acaso também dita o próximo passo das “pessoas que jogam dardos” na bolsa, e assim, o Sr. Alexander Elder analisando o acaso da multidão de negociações toma sua decisão. Para ficar mais evidente, vamos supor uma simulação, na qual minhas decisões de compra e venda são tomadas aleatoriamente e para ilustrar isso, minhas escolhas serão representadas pelo lançamento de uma moeda: lancei 3 vezes uma moeda e os resultados foram cara, cara, coroa; vejamos, acabo de fazer mais um lançamento, a moeda está suspensa no ar e girando, prestes a cair sobre a mesa... qual seu palpite? Qual o palpite do Alexander Elder? O que faz ele decidir por cara ou coroa? Eu não sei, mas sei que o resultado da escolha dele ou a de qualquer outra pessoa nessa simulação teria a mesma probabilidade de acerto.
O Sr. Alexander Elder afirma que as pessoas atiram de olhos vendados na bolsa de valores, porém, ele faz o mesmo. O acaso é o responsável pelos seus acertos. Isso me lembrou o que o Marcos Elias, da Empiricus Research, disse: “Análise técnica é como a arte de ver desenho em nuvens.”
Aquela nuvem pode até lembrar a forma de uma ovelha, mas você ainda não pode fazer um churrasco dela.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Viva a democracia!!!
Perante todas as manifestações populares que estão em curso na Líbia, Tunísia, Iêmen, Bahenin, entre outros, resolvi aderir a essa ânsia democrática e liberei os comentários para seres "anônimos". É claro que ainda vou mediar cada postagem antes de permitir a publicação. Muita calma, a mudança deve ser lenta e gradual, exatamente como Josef Stálin respondia sobre quando o comunismo finalmente seria posto em prática!
Importante: antes que o primeiro anônimo saia publicando que o que eu escrevi no post
"Déjà vu na terra de Ramsés II" é uma cópia barata do que o Reinaldo Azevedo escreveu em seu blog, no dia 15/02, eu informo que não é! Eu li hoje o post dele, e recomendo fortemente a leitura, afinal de contas, ele é uma pessoa inteligente e escreve muito melhor.
Post do Reinaldo Azevedo:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/essa-tal-democracia-ou-eleicao-nao-e-sinonimo-de-civilizacao-e-preciso-mais/
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Déjà vu na terra de Ramsés II
Só o que se fala de política internacional atualmente, na mídia brasileira, é a queda de Mubarak. Parece que, com louvor, todos estão aplaudindo a derrocada de mais um regime autoritário no mundo, mas, será mesmo esse o desfecho?
A impopularidade do ex-presidente só reforça uma coisa: a oposição, que tem a Irmandade Muçulmana por trás.
Não adianta trocar um regime ruim, por um pior! A lógica é a seguinte, a fraca ideologia do PSDB, não faz com que a ideologia do PT pareça boa! O mesmo ocorre entre a disputa entre Mubarak e os radicais islâmicos.
Já vimos algo parecido antes. No final da década de 1970, o Irã abandonou o regime dos xás. Mohammad Pahlevi foi deposto e quem assumiu o comando do país foi a república islâmica dos aiatolás (mais alto grau de hierarquia do Islã xiita). À época, o raciocínio era de que o Irã estava abandonando um regime autoritário, e isso, por si só, era um acontecimento bom. Hoje, podemos mensurar o resultado da revolução iraniana de 1979. O atual governo de Ahmadinejad evidencia que existe sociedade mais opressora do que o antigo regime das xás.
A maior oposição do governo de Mubarak é justamente a mesma organização que exerce o poder no Irã, a Irmandade Muçulmana, que não permite qualquer desvio comportamental do que dita o Corão, não concede livre escolha e prática de outras religiões, atua de forma organizada em mais de 70 países e esteve presente em todos os conflitos pró-islã desde a década de 1950.
No Irã há eleição, o presidente é eleito apenas duas vezes, não podendo se candidatar pela terceira vez consecutiva, e o país já possui uma constituição. Entretanto, o cargo máximo da nação é exercido exclusivamente por muçulmanos xiitas, castigos corporais são aplicados em casos de divergência dos preceitos do Corão, há pena de morte para defensores do regime xá, prostitutas, homossexuais, e membros de outras igrejas, etc.
Ou seja, a rotatividade de pessoas no governo não assegura uma democracia. Não basta recusar o regime de Mubarak e abraçar de olhos fechados a Irmandade Islâmica. Não é o bastante criticar o atual regime sem discutir melhores alternativas.
O povo egípcio pode estar caindo numa armadilha, que eles mesmos armaram, sob aplausos de grande parcela do ocidente e gargalhadas do islã xiita.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
G-20 e o Sistema Monetário Internacional
Segundo o Estadão (leia-se o jornal chamado Estadão e não o atual governo dos "camaradas"), uma das obsessões do presidente francês, Nicolas Sarkozy, é a reforma do Sistema Monetário Internacional. O jornal também cita que Sarkozy está pouco satisfeito com a posição do dólar como principal moeda de reserva e troca. Portanto, ele deve propor mudanças nas reuniões do G-20 que ocorrerão na próxima sexta e no sábado.
O argumento do presidente francês é de que o dólar é uma moeda manipulada. Para sustentar essa afirmação ele recorre ao seguinte discurso: "o Federal Reserve já emitiu US$ 1,3 trilhão e vai emitir mais US$ 600 bilhões até junho para recomprar títulos do Tesouro americano, que, por sua vez, foram lançados para cobrir despesas correntes do governo. Se isso não é manipulação, então o que é?".
Bom, por transitividade, a característica de "manipulada" abrange também o Yuan, o Euro, o Real, etc. Até aí Sarkozy não fere sua lógica, pois, ele mesmo, estendeu sua crítica ao Yuan e ao Euro também caracterizando-as como "manipuladas". Entretanto, a proposta da França é de que os Special Drawing Rights (SDRs, ou Direitos Especiais de Saque), a moeda oficial do Fundo Monetário Internacional, tornem-se o padrão de reserva.
Em linhas gerais, Sarkozy está argumentando que se o Banco Central de um país aumenta ou reduz a oferta de moeda significa que a moeda daquele país é manipulada, e isto é ruim.
Desde que as moedas deixaram de possuir coversão por ouro, e passaram a ser controladas por governos, TODAS as moedas são manipuladas! E uma das razões pela qual o padrão-ouro foi abandonado é justamente o problema que essa indexação trazia, afinal de contas, o estoque de moeda nas economias dependia do estoque de ouro existente.
A adoção dos SDRs como nova moeda de reserva para as nações não resolveria o problema (se é que existe algum problema), pois, desde o colapso do sistema de Bretton Woods, em 1973, os SDRs são definidos por uma cesta de moedas (na qual estão o Euro, o Iene, a Libra Esterlina, e o Dólar americano). Ou seja, sairíamos de uma moeda manipulada como reserva de valor para uma cesta de moedas manipuladas, que, por definição, também seria manipulada.
Isto não passa de uma lógica circular infundada. Parece que, ou o Sarkozy não sabe o que são os SDRs, ou, ele não consegue raciocinar de forma lógica e correta! Meu chute? ... Melhor não comentar!
Além disso, quem define uma reserva de valor é a preferência dos indivíduos, e não uma decisão arbitrária por parte de um governante. O dólar só é adotado como ampla moeda de reserva, pois, o governo americano, mesmo manipulando sua moeda, passa credibilidade aos agentes.
Que mais é uma moeda se não uma mercadoria como todas as outras sujeita à oferta e demanda? O Sarkozy acredita que sabe o valor justo de cada moeda? O FMI sabe? Existe valor mais justo do que o gerado pela precificação dos agentes via mercado?
Sarkozy, árduo defensor da unificação da Zona do Euro, está vendo sua causa fracassar, após ter sido posta em prática, e busca desesperadamente por respostas. O fato é que ele não percebe que o maior problema é justamente sua crença desmedida na postura centralizadora e na união monetária europeia.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
São aerolitos? Não, é só o IPCA mesmo!
O Relatório Focus divulgado ontem pelo BC, com dados de sexta-feira, dia 11/02/2011, mostra, mais uma vez, um distanciamento entre as expectativas do mercado para o IPCA e a meta na qual o Banco Central se compromete a cumprir (atualmente em 4,5% a.a.). É claro que isto não deve ser surpresa para ninguém, afinal de contas, há meses o governo está “jogando” contra o Banco Central.
Primeiro o governo culpou os choques de oferta, recorrendo à técnica de eximir-se da responsabilidade, pois, são eventos “não recorrentes”. Depois o ministro Mantega comentou sobre a possibilidade de alterar a meta do Banco Central para a inflação, no qual o índice a ser perseguido como meta mudaria para o núcleo de inflação, ao invés do índice cheio. por fim, o governo utilizou-se de peripécias contábeis para fechar o resultado do superávit fiscal em 2010 – infelizmente, mudar a metodologia do cálculo não altera o resultado da política fiscal expansionista.
A tabela abaixo mostra como o Banco Central vem perdendo o controle da expectativa de inflação – para esta análise, o melhor seria visualizar todos as projeções do relatório Focus desde janeiro de 2010, porém, ainda não tenho um estagiário, portanto, contente-se com os seis primeiros relatórios de cada ano.
Num sistema de metas de inflação, a confiança que o Banco Central passa para o setor privado, no cumprimento da meta, é de vital importância para o cumprimento em si, já que os agentes precificam de acordo com suas próprias expectativas. Quanto mais a expectativa do mercado se distancia da meta, maior é a probabilidade de não cumprimento no futuro. Esse resultado representa que um custo maior para fazer a inflação retornar, pois, é mais “caro” fazer as expectativas convergirem para a meta do que mantê-las constantes em um cenário adverso.
No último relatório de inflação (de dezembro), divulgado trimestralmente pelo BC, destaca-se a intensificação de medidas "macroprudenciais" em conjunto com o aumento de juros.
A meu ver, isto evidencia um enfraquecimento do BC, ou seja, já está recorrendo a ferramentas que geram resultados incertos para tentar segurar a inflação. Entretanto, o tratamento mais eficaz para reduzir os índices inflacionários é um banco central forte e totalmente inclinado a cumprir seu objetivo, aonde não existe espaço para dúvidas. Ou seja, o BC errou ao menosprezar a elevação do IPCA e sinaliza que está superestimando suas “medidas macroprudenciais”. A literatura sobre metas de inflação, no entanto, deixa claro que tais medidas não são o melhor caminho a ser seguido, justamente por terem duvidosa eficácia. Um bom exemplo é o aumento do compulsório, no qual os bancos podem responder reduzindo seus níveis de operações compromissadas tornando a medida inócua, ou pelo menos diminuindo seus efeitos.
(Em verde as expectativas que convergiam para a meta, e em vermelho as expectativas que superam a meta)
Abaixo segue o gráfico do comportamento das taxas de juros futuras, via LTN 2014. Como podemos perceber, os juros futuros vêm aumentando desde o início do ano, e mesmo assim, a expectativa do mercado para IPCA também se elevou nesse período (tabela acima). A área hachurada mostra o recuo das taxas após o pronunciamento de corte de R$ 50 bilhões, por parte do governo na semana passada. Entretanto, após os juros recuarem, voltaram a subir e já ultrapassaram novamente o patamar de 13% ao ano.
Simplesmente dizer que vai economizar sem apontar quais contas terão economia não parece uma estratégia muito inteligente, e muito menos eficaz, mas temos que levar em consideração que estamos falando de um governo que acredita em mágica contábil, e de um ministro da fazenda que acredita que o Federal Reserv (banco central americano) está injetando liquidez com o intuito de depreciar o dólar para importar menos produtos brasileiros e assim elevar o PIB da maior economia do mundo.
Para finalizar, copio (sim, descaradamente) a o argumento do Luis Stulberger, ou seja, o moto-contínuo tropical tem um preço a ser pago!
domingo, 13 de fevereiro de 2011
eis um Nobel...
O nível das universidades brasileiras é algo que me surpreende a cada dia. Eis, que encontrei uma obra-prima acadêmica, advinda da UNIOESTE (Cascavel/SC).
Eduardo Rubik e Karine da Costa, ambos economistas e já com seus MBAs em Finanças, publicaram um artigo na revista de ciências sociais da UNIOESTE que diz o seguinte:
"A tabela abaixo mostra um fato interessante. Contrariando a Teoria das Finanças, onde títulos com maiores riscos devem apresentar maiores retornos,percebe-se para o período em questão, que o CDI apenas superou a rentabilidade da SELIC-over no ano de 2002. Ou seja, o título com maior risco apresentou os menores retornos."
Logo abaixo vem uma tabela com os dados diários do CDI e da SELIC-over.
Como se não bastasse, ainda calcularam a correlação entre as duas taxas!
Bom, fica minha dica para um próximo artigo: calcular a correlação entre o número de mulheres grávidas e o de nascimento de bebês.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Arte dos números
Em 28 de Janeiro de 2011, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, informou à imprensa que o superávit do governo central representou 2,16% do PIB de 2010, ficando acima da meta de 2,15%.
O´Brien mostrou a mão esquerda, de dorso para Winston, com o polegar oculto e mostrando quatro dedos.
- Quantos dedos tenho aqui, Winston?
- Quatro.
- E se o Partido disser que não são quatro, mas cinco... quantos?
...
Quantos dedos, Winston?
- Cinco! Cinco! Cinco!
O´Brien mostrou a mão esquerda, de dorso para Winston, com o polegar oculto e mostrando quatro dedos.
- Quantos dedos tenho aqui, Winston?
- Quatro.
- E se o Partido disser que não são quatro, mas cinco... quantos?
...
Quantos dedos, Winston?
- Cinco! Cinco! Cinco!
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